Um prazer com amarguinho no final

Este é Dia Internacional dos Direitos Humanos, estou deixando esta pequena contribuição pelo contraste incrível com o qual me deparei três anos atrás, durante esta análise bem específica de um fato recente.

Foi surpreendente o que constatei do esforço dos batistas nas convenções nacionais quanto a cidadania cristã na sociedade. A conclusão da pesquisa, no entanto, me gerou uma indignação sobre algo que vemos o tempo todo, mas desprezamos as implicações finais.

Sob o título “OS BATISTAS BRASILEIROS E O ENGAJAMENTO POLÍTICO DO INDIVÍDUO: UMA ANÁLISE DA PROPOSTA DE EDUCAÇÃO INTEGRAL DA CBB”, investiga-se neste trabalho a formação da teoria política batista e analisa-se a Matriz Curricular sugerida pela Convenção Batista Brasileira para a educação religiosa de pessoas com idade a partir de 13 anos.

“A história dos batistas pelo mundo é marcada por iniciativas político-sociais, inclusive por direitos civis. Na Inglaterra, os batistas viviam a perseguição, assim como a Guerra Civil (1642-1649), na qual lutavam voluntariamente em prol da liberdade política e religiosa, ‘demonstrando que não tinham posição extremada contra o apoio à causa pública.’
Os batistas que vieram estabelecer-se na América procuravam liberdade religiosa, longe da perseguição na Inglaterra. Seus pioneiros carregavam a bandeira da liberdade de consciência. Os batistas John Clarke e Roger Williams foram os primeiros a conseguirem, em 8 de julho de 1663, um documento oficial do rei inglês para um estado onde houvesse liberdade de consciência religiosa para qualquer credo, abrindo mão de uma exclusividade batista em prol do direito alheio de viver uma vida até mesmo não cristã.
No século XX, o ministro batista Martin Luther King Jr. marcou a história da humanidade com seu ativismo político. O pastor foi um dos mais importantes líderes do movimento por direitos civis dos negros nos EUA, e liderou uma campanha de não violência e amor ao próximo reconhecida mundialmente. Em 1964 recebeu o Nobel da Paz. Nos anos seguintes seu foco passou a abranger a pobreza e a Guerra no Vietnã, afastando alguns de seus aliados liberais com o discurso “Além do Vietnã” em 1967, quando fez sérias críticas sobre o papel dos EUA na guerra. King foi assassinado no ano seguinte, sendo um pastor batista que, por amor ao próximo, liderou movimentos não violentos por igualdade de direitos civis, por justiça socioeconômica e por um mundo mais amoroso.”

Baixe o PDF e leia o trabalho completo:

https://www.4shared.com/office/fc6O00Twce/Monografia_Cidadania_Educação_Batista.html

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Quem foi João Ferreira de Almeida?

ADOLESCENTE COM UMA PAIXÃO DIFERENTE

João Ferreira de Almeida nasceu no ano de 1628 em Lisboa, Portugal. Filho de pais católicos romanos ficou órfão ainda criança sendo criado por um tio, que era membro de uma ordem religiosa. Não se sabe muito sobre sua infância, mas afirma-se que ele tenha recebido uma educação excepcional a fim de que entrasse no sacerdócio. Talvez pela forte influência da Inquisição em Portugal, viajou para a Holanda e, aos 14 anos, embarcou para a Ásia.

Naquela ocasião, ao velejar entre a Batávia e Málaca, na Malásia, Almeida leu um folheto protestante em espanhol intitulado Diferencias de la Cristandad (Diferenças da Cristandade). O conteúdo do folheto atacava doutrinas e conceitos católicos como: uso de línguas incompreensíveis para o povo comum, tal como o latim, durante os ofícios religiosos. O folheto o impactou e, em Málaca se converteu e, em 1642, passou a servir à Igreja Reformada Holandesa dedicando-se, imediatamente, a tradução dos evangelhos do castelhano para o português.cp1

Almeida começou o seu trabalho pela Igreja Reformada Holandesa na Ásia como “visitador de doentes” e, em seguida, como pastor suplente. No tempo de Almeida, um tradutor para a língua portuguesa era muito útil naquela região onde havia cada vez mais cristãos protestantes de fala portuguesa, geralmente convertidos do catolicismo. Mas o português de Almeida, tanto na escrita quanto na pregação, era muito erudito e de difícil compreensão.

Dois anos depois Almeida se engajou no projeto de traduzir o Novo testamento para o português e usou como fontes nessa tradução, além da espanhola Reyna Valera de 1569, as versões: Latina (de Beza), Francesa (Genebra, 1588) e Italiana (Diodati, 1641) – todas traduzidas do grego e do hebraico. Em menos de um ano, em 1645, Almeida com 16 anos de idade, já havia traduzido todo o Novo Testamento para o português, mas não houve nenhuma iniciativa para que o seu trabalho fosse impresso. Apenas algumas cópias manuscritas foram feitas do Novo Testamento traduzido por Almeida. Depois do texto ter sido enviado ao governador geral holandês, o trabalho desapareceu e o responsável pela publicação havia falecido.

Em março de 1651, Almeida foi à Batávia com uma carta de recomendação da congregação de Málaca, com isso, o aceitaram como capelão dando-lhe a oportunidade de estudar Teologia. Atas registram que algum tempo depois ele estava ensinando a escravos no Castelo e lhe foi ordenado, ainda em 1651, que fizesse cópias com correções, se necessário, de “partes do Novo Testamento em português” para a congregação de Galle, no Ceilão, quando descobriu que seu trabalho havia desaparecido. A partir das cópias e rascunhos de seu trabalho anterior, Almeida refez e revisou o trabalho, e concluiu no ano seguinte os Evangelhos e o livro de Atos dos Apóstolos.

UM INTRÉPIDO CONDENADO À MORTE

Em 17 de março de 1654, Almeida foi aceito como candidato para o ministério da Palavra. Além de traduzir as Escrituras, João tinha agora a incumbência de ensinar o português para outros que quisessem aprender a traduzir livros. Deveria também instruir os professores “nativos” (cristãos nascidos no sudoeste da Ásia, dentro ou fora da Indonésia, e que haviam ido à Batávia).

Submetido ao exame, é ordenado pastor e missionário, em 1656, sendo indicado para o Presbitério do Ceilão, para onde foi com o colega Baldaeus. Foi, provavelmente, nesta época que Almeida veio a conhecer Lucretia Valcoa de Lemmes(ou Lucrécia de Lamos), também vinda do catolicismo romano para o protestantismo com ele, e que tornou-se sua mulher. Mais tarde a família completou-se, com o nascimento de um menino e de uma menina. Depois Almeida foi para a Índia, por isso, é considerado pioneiro entre os protestantes naquele país. Acredita-se que estes tenham sido os anos de maior tensão de sua vida, pois, pregava contundentemente contra as práticas que considerava doutrinas falsas da Igreja Católica, além de expor denúncias de corrupção moral entre o clero. Por causa de sua posição tão forte contra o que ele chamava de “supertições papistas”, Almeida foi considerado por muitos das comunidades de fala portuguesa como apóstata e traidor e o governo até tentou impedi-lo de pregar em português, mas sem sucesso. Esses confrontos chegaram a levar seu nome à juízo no tribunal da Inquisição em Goa, Índia, em 1661, sendo sentenciado à morte por heresia. O governador geral da Holanda chamou-o de volta à Batávia, o que evitou que a sentença fosse consumada.

UM CRISTÃO INTENSO

Almeida assumiu, em 1663, o trabalho na congregação de fala portuguesa da Batávia, onde ficou até o final da vida. Nesta nova fase, teve uma intensa atividade como pastor. O que está registrado a esse respeito revela muito de suas idéias e personalidade. Ele convenceu o presbitério de que a congregação que dirigia deveria ter a sua própria cerimônia da Ceia do Senhor. Ele se ofereceu para visitar os escravos da Companhia das Índias nos bairros em que moravam, para lhes ensinar religião, mas a sugestão não foi aceita pelo presbitério. Almeida com muita freqüência alertava a congregação a respeito das “influências papistas”.João-Ferreira-de-Almeida

Ao mesmo tempo, retomou o trabalho de tradução da Bíblia. João começou a dominar a língua holandesa e a estudar grego e hebraico. Em 1676, ele apresentou o Novo Testamento pronto ao presbitério, que exigia que o trabalho passasse pelos revisores de sua indicação. Almeida sabia que precisaria daquela recomendação para que conseguisse as permissões do Governo da Batávia e da Companhia das Índias Orientais, na Holanda, para que o seu trabalho fosse impresso. A relação entre Almeida e os revisores era tensa por causa das diferenças de opinião sobre significado e estilo do português de algumas palavras. Quatro anos depois, ainda se discutia os capítulos iniciais do Evangelho de Lucas. Almeida decidiu enviar, sem o conhecimento dos revisores, o material para a Holanda a fim de que fosse publicado. E o presbitério, que teve uma reação negativa, conseguiu parar o processo, e a impressão foi interrompida. Alguns meses depois, ao tempo de algumas discussões e brigas, quando o tradutor já estava quase desistindo de apressar a publicação de seu texto, chegaram cartas da Holanda trazendo a notícia de que aquele manuscrito havia sido revisado e estava sendo impresso naquele país. Em 1682 cópias chegaram à Ásia. No entanto, os revisores conseguiram fazer alterações no trabalho de Almeida, que ficou insatisfeito com a primeira impressão e, com o apoio do governo holandês, mandou destruir tudo. Salvas algumas cópias que Almeida conseguiu para que, até a nova impressão, os erros principais fossem corrigidos à mão.

O SEU TRABALHO ESTÁ AÍ

Os revisores voltaram à Batávia para concluir o trabalho de revisão do Novo Testamento e avançar para o Velho Testamento à medida que Almeida ia completando. Almeida deixou o trabalho missionário já com a saúde bastante abalada, em 1689, e passou a se dedicar plenamente à tradução. João Ferreira de Almeida morreu em 1691 enquanto traduzia o último capítulo do livro do profeta Ezequiel. Coube ao seu amigo Jacobus op den Akker completar a tradução em 1694.

O Novo Testamento em português de Almeida foi revisto pouco antes de sua morte e veio a ser publicada a segunda edição em 1693. Alguns historiadores afirmam, porém, que a segunda edição também teve alterações feitas pelos revisores. A motivação para a continuação da obra de tradução da Bíblia para o português na Ásia se perdeu e foi a pedido dos missionários dinamarqueses em Tranquebar, no sul da Índia até então parte da Índia Dinamarquesa, que uma sociedade inglesa, a Society for Promoting Christian Knowledge, em Londres, financiou a terceira edição do Novo Testamento de Almeida, em 1711. Durante o Século XIX, a British and Foreign Bible Society e a American Bible Society distribuíram milhares de exemplares da versão de Almeida em Portugal e nas principais cidades do Brasil. Este fato provocou um grande apreço popular pela Tradução de João Ferreira de Almeida das Escrituras Sagradas para o Português, sendo usada, principalmente, pelos cristãos evangélicos de fala portuguesa.

Atualmente a edição no Brasil é feita principalmente pela Sociedade Bíblica do Brasil e pela Sociedade Trinitariana do Brasil.

A TRADUÇÃO POSTA À PROVA

Quando estudei Grego Koinê (ou Bíblico) Avançado, meus colegas e eu tivemos um trabalho em que deveríamos traduzir versículos do Novo Testamento em Grego (baseado nas melhores cópias já encontradas) para o Português. Qual foi a nossa surpresa ao constatarmos que, em comparação com outras traduções, a tradução de João Ferreira de Almeida foi a escolha de 80% dos grupos no quesito fidelidade à ortografia bíblica, ou seja, o texto como ele foi escrito originalmente (conforme o manuscrito fonte). Isto, claro, não desmerece outros trabalhos tão esmerados quanto, como a Nova Versão Internacional, cuja proposta é o Português médio e não, necessariamente, toda a profundidade da palavra original, que acaba se perdendo aqui e ali, pois o sentido principal é mantido sem distanciar-se.

Referências

CARDOSO, Manuel Pedro (1998). Biografia João Ferreira de Almeida(Transcrição do livro “Por Vilas e Cidades” – Edição do Seminário Evangélico de Teologia – Lisboa). Acedido em: 28 de janeiro de 2009, em: http://www.estudos-biblicos.com/jofeal.html

SCARAMUSSA, Daiana. Revista Comunhão. História da Igreja. Vitória(ES): Next Editorial, 38 p.

Uma grande chance nas Olimpíadas

Soldados alemães e britânicos, protegendo-se dos tiros que poderiam vir, trocam presentes e saudações de Natal nas trincheiras na Primeira Guerra Mundial.
O clima natalino trouxe a memória da vida além daquela violência, sensibilizou os franceses na trincheira inimiga, que chegaram a se aventurar no campo de batalha, trocando alimentos e presentes.
Os dias de trégua informal chegaram a tal nível de confraternização que até partidas de futebol aconteceram na “terra de ninguém”.
A Olimpíada, também, é um evento mundial que já parou guerras! Não estamos em uma. Temos apenas opiniões divididas. Se o maior evento de confraternização mundial não puder nos trazer uma trégua pra repensarmos nossa postura, perderemos a chance de escolhermos melhor nosso futuro como pessoas, vizinhos, povo, nação.
Berlin Olympiade 1936

Berlin Olimpíada de 1936, quando Hitler teve que ver um negro acima dos brancos no pódio.

Dar uma trégua nos posts, compartilhamento e posturas de “meu lado é o certo e você só pode ser burro”, sabe?
Desviciar nossa opinião e permitir pensar no que o outro tem a dizer, mas com o ânimo de que é melhor competir do que ganhar numa discussão.
Se o espírito olímpico imperar e nos inspirarmos a disputas com honra e respeito, ao invés de sair todo mundo machucado e insatisfeito, a gente poderá disputar como os melhores do mundo.

O Superman de Nietzsch deve ser melhor

Estava fazendo a Descrição Longa da página facebook.com/humanoemcristo e gostei de como saiu a analogia do Superman da DC Comics e o crente , especialmente o evangélico.

Embora eu ame Filosofia, só pretendo ler Nietzsche agora – até porque, a vida toda me ensinaram que ele é feio e come criancinha – e não aprendi muito sobre sua ideia do homem audaz, o superman. Mas este de quem você vai ler aí é comparado com o da DC – não 100% fiel – e, entre os dois neste caso, talvez eu prefira o superman do bigodudo mesmo:

“Crentes não são seres celestiais, portanto, precisa cair a atitude de Super-homens/mulheres, que são pacatos Clark’s para a sociedade, mas que, na hora do evangelismo, heróis que descem do céu para trazer salvação contra vilões fantasiados.

No blog estão registrados meus esforços por amar pessoas, valorizar a sua busca pela vida, expressa nas artes, nas culturas, nas ideologias, nos grupos, nas relações mais simples; pois creio que Deus faz isto, especialmente, em Cristo para que eu entenda que ser humano tem disso: ter humildade em reconhecer que estamos todos ávidos pela mesma vida plena, mas com erros e acertos diferentes; sendo a humildade a chave-mestra para nos abrir diálogos transformadores.”

NÃO SE AVEXE, COMENTA AÍ SUA OPINIÃO!

 

Jesus ressuscitou, atravessou porta fechada, comeu peixe, foi pra Glória…

O Filho de Deus é divino, mas não despreza o cotidiano humano, pois sua obra terrena, AO CONTRÁRIO, mostra um ser humano maduro sem a Queda. “Isto é, Deus estava em Cristo reconciliando consigo o mundo, não lhes imputando os seus pecados; e pôs em nós a palavra da reconciliação.” (2 Coríntios 5.19)

Tão logo, seus apóstolos tinham que impedir, com frequência, que ideias errôneas fossem disfarçadas de ensino cristão. No entanto, cada crente absorve o que quer e até o que não quer das influências à volta. Então, ao longo desses dois mil anos, vários conceitos exigiram esforço e estudo, a fim de se peneirar e voltar à essência do que Deus nos transmite em Cristo.

Não sou cristão. O que eu tenho a ver?

Por exemplo, o conceito de que o que é humano é pecaminoso EM SI, sujo e fracassado ante ao inatingível Santo Deus, é pouco teologia cristã e mais filosofia de Platão. Sendo isto algo que torna rara a capacidade de igrejas perceberem a busca de indivíduos e culturas não cristãs pela vida plena, humana, sem culpa, que a pessoa em Cristo deveria reconhecer bem.

A ideia de sexo, exemplo correlato, agora é alvo de um esforço das igrejas de desmistificar o próprio tabu, amplamente disseminado, de que é coisa terrena, devassa e suja, que Deus estaria tolerando no casamento. O que evidencia que podemos carregar tabus teológicos de origens outras que não da fé, que precisamos desconstruir de tempos em tempos para descontaminar o Evangelho de crenças limitantes.

Este blog é onde vou experimentar, expôr, questionar e desfrutar da vida cristã no século XXI, nos erros e nos acertos, a fim de compartilhar esta busca pela essência do humano em Cristo, regenerado, em aperfeiçoamento, sendo testemunho ambulante da Graça diária de Deus.

NÃO ESQUEÇA DE COMENTAR!

“O Mestre usa a vida, a vida usa tudo”

Pés no chão, cabeça no espaço.

Neste blog vou postar: minhas opiniões sobre tudo (que exija um texto, claro), mensagens bíblicas; dicas sobre bons livros, músicas, quadrinhos e vídeos; até material teológico pra quem tiver curiosidade!

Vinicius Nogueira Pereira

Em breve pai, fã da esposa, teólogo cristão, designer gráfico, nerd convicto, apaixonado por arte, viciado em rock n’ roll.

Espero que comentem e critiquem. Este é o objetivo de expor ideias: gerar algo no outro. Enquanto isso, sigo em Cristo a vida com Deus, sem perder a noção do humano!

Até mais!